quinta-feira, 9 de abril de 2009

Coisas de abril nº 2 ( e a luta continua)

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Van Gogh
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O Valor de uma apóstrofe
(dedicado a Seu Zeno)
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Fumar pode levar à amputação, me adverte o Ministério da Saúde impresso lá no verso de meu terreninho na Terra de Malboro. E eu, que sempre am´putei muito, fico a pensar, entre anelos de fumaça, se largando o cigarro não mais am´putaria, coisa que muito me enfadonha as perspectivas. Será que parando de fumar estou condenado aos amores sóbrios, às paixões seríssimas, ao sexuar-me só para fins de reprodução de garotinhos? Jamais am´putaria novamente? O que fariam meus dedos, já que o Ministério da Saúde não me garante o piano no qual me concertaria, se não mais ousassem rapinagens quando enfim me am´puto? Meu nariz, nunca dado ao classificar de vinhos, cafés e outras beberagens, se não se am´putasse comigo restaria cheirando o que? Minha língua que, confesso, já foi mais ofídica, serpentearia por que desvãos se não mais fosse comigo am´putada? Sem contar com meu pobre apêndice masculino, outrora até mesmo másculo, mas que ainda às vezes se ergue e tem belezuras para oferecer, o que seria dessa pobre coisa que em mim carrego pendurado à espreita, se a ela não mais se oferecesse a am´putaria? Mistério da Saúde indeed! Quem souber a resposta, por favor, me conte. Se não me encontrar é que, uma vez mais, caí na am´putaria. Mas volto logo, am´putado e feliz da vida. Se Deus quiser.
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O maço, vazio; no bar, prateleira e meia
Uma vontade imposta, uma certeza plena
Fumo? Não fumo? Mas é lua cheia!
Agarro a desculpa, mais um apenas
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Bar do Frango, e de galos velhos, 18 de abril de 2007
Publicado em abril de 2007


3 comentários:

Anônimo disse...

Já se passaram dois anos e os assuntos continuam em voga. Tanto os bons quanto o ruins.
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Um paliativo para o cigarro: um drink, carícias sem fronteiras, desejos inconfessos, um amor fluindo no compasso de uma música lenta, bem devagarinho, daqueles de fazer durar uma eternidade e pronto, não se fala mais nisso, combinado? Digo, do cigarro, porque todo o resto sempre estará a espera de uma próxima vez, sem inquietações com amores sóbrios ou paixões seríssimas e com todas as am'putarias de que se tem idéia. Concessões amplas para quaisquer loucuras dos seus anseios, menos para o cigarro. É pegar ou largar.
20 de Abril de 2007 16:56
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Em suma, o pedido se repete. A espera pelo presente prometido, também. A preocupação... bem essa você sabe, sente, ouve, mas não escuta.

Beijo,

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Anônimo disse...

rsrsrsrsrsrsrs

beijo,

Cristina

Ana Vassalo disse...

looooooooooool !!!!!
Que felicidade, oh oh alegria!!!
Deixe lá, por aqui, Lisboa, o cenário é igualmente desinspirado... Muita morte anunciada, pois é. Faz toda a diferença, este pendor maternal e zeloso dos obsequiosos fiscos desse mundo. Para lá da penúria em que nos deixam, é bom saber que nos roubam a alma e o bolso, mas nos preservam o corpo. Pouco, lá está, mas agora não vêm ao caso inúteis dissertações a propósito de Tratados Vários da Incoerência Maior que esse tal de mundo fiscal se entretém a celebrar.
Importa sim, que a cada passa (fumaça) deste novo cigarro que acendi, ao ler os seus escritos sobre "am'putarias", me consolo e convenço ainda mais que é neste lugar de "irremediáveis viciados" que as almas descentradas de norma vão sobrevivendo.
Gosto de rir, ah pois. De preferência por entre névoas expiradas e que, lá está, jamais se arrependem de nuvens.
Beijo!
Ana