quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Miles Ahead



Pergunte-se quando foi que você escutou o Concerto de Aranjuez pela primeira vez. Quase garanto que foi com Miles Davis. Aliás, diz a lenda que o compositor do concerto não gostou muito quando viu a gravação de Miles. Ao que este respondeu: Espere até o dinheiro dos direitos autorais começar a aparecer. Dito e feito.
O Concerto de Aranjuez foi gravado durante uma época, das poucas em sua vida, que Miles não estava à frente da revolução da hora no jazz. Coltrane e Ornette Coleman haviam "lançado" o free jazz e Miles não os acompanhou (e graças ao bom Deus, diria eu). 
E foi ficando para trás que Miles, em parceria com Gil Evans, gravou dois discos memoráveis: Miles Ahead e Sketches of Spain, de onde foi tirada a faixa que encanta o vídeo..  Depois ainda reune um fabuloso sexteto e grava, em 1959, aquele que muitos consideram sua obra maior, Kind of Blues.
E foram estes, talvez, os últimos trabalhos dignos da surpreendente carreira de Miles Davis. Depois deles, com o rock tomando conta da cena musical, Miles envereda pelo jazz-fusion na tentativa de modernizar-se. E vai, a partir daí, virando uma triste figura, fora do jazz e nunca aceito no rock. O disco Bitches brew, gravado em 1970, inaugurou a retirada de Miles da história do jazz e, de certa forma, de sua própria história.
Miles morre em 1991, aos 65 anos de idade,um milagre que a medicina jamais conseguirá explicar tamanha foi a quantidade de drogas, sempre as mais pesadas, que ele consumiu durante toda a sua vida.



Pelo vídeo, obrigado Regina

Espera solitária


A vida inteira esperei por
alguém como tu
Mesmo sabendo que não sei como és.
E mesmo que
ainda não se tenha passado
a vida inteira.
.
Jorge Reis-Sá

A Vamp com o avental sujo de ovo







Ela era bonita, um corpo quase perfeito, uma voz capaz de destruir casamentos e, no entanto, durante toda a sua vida foi, antes de tudo, uma perfeita dona de casa. Daí a maneira como Ruy Castro a chama em seu livro Vendaval de Ritmos, de onde venho tirando várias idéias para as postagens.
Agora, senhores e senhoras, fechem os olhos, escutem a música e vejam se dá para acreditar!

.


Ausência

foto: Chema Madoz

Bebi... sim...

de gole em gole, refrescou-se o silêncio
com a balbúrdia
da tua sofisticada
ausência.

Enveredou-se
pela trilha estreita,
Gritando,
voluptuosidade
ao inverno
e ao sol que gela.

Pouco a pouco,
reviram-se papéis
sobre a mesa
na hora do jantar.

Palavras sobrevoam
a fome latente.
Parece bonito,
mas quase arde.
Lentamente,
sedas se arrastam
pelo chão
da tua ausência.

Assim como meu corpo,
cravado em dúvidas,
no sofá,
retrata nosso momento fatal.

Não me traga
um rosto
quase pálido
de vida.

Traga-me
o perfume
engarrafado
no teu sorriso.

Assim
a ausência passa
e com ela
o grande perigo.

Perder...  

Carla Dias

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Johnny Hartman em dose dupla

Johnny Hartman, que Ruy Castro chama de O Sinatra Negro em seu livro Tempestade de Ritmos, gravou muito pouco e é pouco conhecido, mesmo entre os que gostam de jazz. Talvez vocês se lembrem de uma música que acompanhava as sequências mais tocantes em que Clint Eastwood e Meryl Streep viviam seu amor maduro e talvez impossível em As Pontes de Madison. Era ele, Johnny Hartman, cantando I see your face before me, For all we Know, e It  was almost a love song. Entre as poucas coisas que gravou (ele não era muito comercial), o Lp junto com Coltrane, então no auge da fama e revolucionando o jazz, é considerado uma obra-prima. E era tal o respeito que os músicos tinham por Johnny Hartman que ele conseguiu, nesse LP, fazer de Coltrane um baladista romântico quando este já começava a se aventurar pelos caminhos do free jazz. Como diz Ruy Castro, é um disco a ser levado para uma ilha deserta. 
Alguns posts atrás eu já havia colocado uma faixa do LP aqui para vocês: My one and Only Love. Coloquei a mesma faixa no YouTube e recebi, por lá, o vídeo que posto agora como uma carinhosa resposta ao meu. Divido-o com vocês esse comentário musical que me foi carinhosamente enviado. Deixo como link para o YouTube para que os devidos créditos possam ser dados à desconhecida que me acarinhou.
E aproveito que é fácil e coloco mais um Johnny Hartman em um vídeo com imagens do belo filme de Clint Eastwood.




domingo, 3 de agosto de 2008

O menino e seu cachorro


.
Ilustração do vídeo: Manet

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Agosto, mês poente


Agosto de 2008, mês em que virei fino biscoito