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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Frestas Venezianas, o poema que nunca foi dito

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Pois há futuro em nossas janelas,
Como em minha boca, um gosto ocre,
Me pinta um amor de aquarelas
Que faz de teu fel um resto doce.

Embriagado de ti, em ti me rendo
Ao teu de mim desconhecido
Nem te perdendo, nem te vendo,
Me entrego cego, reconhecido.

E busco ternuras de calendário,
Aos teus encantos, por fim, rendido.
De mim mesmo, meu adversário,
Me perco em ti, seu teu querido.

E busco o doce em tuas mãos,
Nelas me agarro, sobrevivente,
Como quem nega a própria razão
Na desmedida que nos faz gente.

E à tua pele dou a tensão
De ser nela a pele minha.
E aqui te faço minha perdição,
Meu sonho, minha alquimia.
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terça-feira, 31 de março de 2009

Poeminha besta nº 3


Com águas e vinhos te beberei.
E no seio de tuas carnes,
te beber toda eu buscarei.

Assim, bem assim, sem pudor,
te lamberei inteira
te chuparei com ardor.

E minha boca há de beber
de você o tudo que há
até que nada mais possa haver.

E te darei, da minha, na tua boca,
os sucos que experimentarei
neste te deixar bem louca.

Depois, como cicuta,
morreremos de amor,
um homem e sua puta!

domingo, 1 de março de 2009

A primeira poesia a gente nunca esquece

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De Profundis (para O.W.)

Nada como Pessoa, navegado qual Paulinho,
Faço do blog odisséia de onde retornarei.
Se ainda a tortos caminhos,
Ao chegar me saberei.

Nas teias com que me tecem,
Nas sereias que enlouquecem,
No umbigo em escravidão,
Espero, que finda a jornada
Aqui já não reste nada,
Nem sonho, nem assombração.

Se hoje sou quase morto,
Se vivo, me erro torto,
Navego para um litoral
E blogo com todas as velas,
Pintando, em quase aquarelas,
Com tintas que sabem sal.

Nas areias que chegarei,
Não quero sexta, nem feira.
Retrato de Dorian Gray,
Em cinza, para não ser bandeira.

No meio de todos ausente,
Nas grades não verei prisão,
Que a verdade a gente mente
Pra, do eu, prestar a-tensão

De mim mesmo serei alcaide,
De meus desejos não saberei.
De Profundis, Oscar Wilde!
Salomé, viva meu rei!


C´Oração

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Ave Marias de todas as raças
Mistérios, gozares, desgraças
Bendita sois vós, em mim demente
Desvarios, de'lírios, serpentes
Infinito desvio de meu não saber

Bendita sois vós, tod'as mulheres
Desrazão benvinda de meus bem quereres
Perdição infinda onde me erro ermo
Sentido pleno de meus mancos termos
Cruzes de meu mais phoder

Bendita a fruta de vosso ventre
Que tomo com bocas, línguas e dentes
E mais narizes, dedos e pobre caralho
E molho nas gotas de teu orvalho
A flor de meu convosco ser.

Bar do Frango, 01 de março de 2007
Publicado no blog no dia 01 de março de 2007

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pós Carnavalesca



Harlequim, Cezane

Se acaso você chegasse
(Lupicínio Rodrigues, música)
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Se acaso você chegasse
e no meu chapéu encontrasse
aquela pomba que, um dia,
dali voou.
.Será que tinha coragem,
de perdoar a minha bobagem,
em nome daquilo
que de mim restou?
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Eu falo porque essa pomba,
já gira no meu cansaço
a beira de um fracasso
e de um eu em dor.
De noite me faz medonho,
de dia me apaga os sonhos,
e assim,
nós vamos vivendo
de horror.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Soneto da Lua Cheia


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A morte me jogou para a vida
A vida me tornou ao contrário
E a morte permaneceu ferida
Sangrando nos aniversários.
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Destes dois anos aqui passados
Só não passa a lembrança dela
Mas, hoje, de madrugada acordado
Uma lua me antepara a janela. .

E me espanta, invade, é cheia
Ilumina, impede e me convida
Para uma vida pra além da teia
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Onde a morte reste dormida
E a lua seja sempre candeia
Por todo o resto de minha vida.
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Em memória de Gilza
30 de outubro de 1950/12 de dezembro de 2006

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Anta lógica

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Se os poetas de verdade
Podem propor-se antologias,
Um poeta pela metade
Por que não poderia?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Diminueto

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Minha pena é meu tinteiro
A mesa, meu tabuleiro.
Rabisco de próprio punho
Por inteiro sou rascunho.

domingo, 9 de novembro de 2008

Desterminado

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Quando a musa se determina,
E de sua vontade, faz traço e caminho,
A letra, dormida, acorda e se ilumina,
Baila com as outras, versa um carinho.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dez pedaços e uma palavra

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Picasso

Engasgo

No início, era só um coração

Meio morto, meio cansado

Um som de samba canção

Um sonho se querendo sonhado.

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No começo, então, foi o sonho

Um algo por demais imaginado

Uma mesa onde me proponho

E te espero de olhos calados.

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Depois um conto, uma bossa nova

O sábado, o hotel e as ancas

Um final que nos pôs a prova

E uma decisão assim meio manca.

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E fomos, de final em final

Sem nunca termos começado

Uma distância sempre fatal

Dois sonhos desacordados.

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Mas era tão forte o encontro

Que sempre que terminados

O desejo nos fazia de tontos

E nos rejuntava encantados.

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Mas entre uma razão mal temperada

E a temperança de cabeça pra baixo

Vivemos, quase sempre assustados

Um tarot onde nunca me encaixo.

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E assim o fim foi determinado

Nos nossos olhares vesgos

Cada qual enxergando um lado

Desfeitos em um nós de cegos.

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E restamos depois meio trapos

Meio bêbados, meio engasgados

Lembranças virando farrapos

Do olhar, o vento soprando os traços.

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As brigas, as farpas, as tempestades

Fugas, gavotas, o Bach desafinado

Choros, soluços, maldades

Novos amores encomendados.

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Das fugas pretendemos encontros

As marcas do outro em cada um o cravo

Na boca o amargo, os abertos pontos

O resto mal dito, nos sujeitando escravos.

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Um dia, no amor pelas palavras

Por escrito fui costurando rasgos

E semeei as letras, e conjuguei as lavras

E, na terceira pessoa, me livrei do engasgo

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Zédu, 20/10/2008



domingo, 19 de outubro de 2008

Marcador

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figura: ferros de marcar

Adiante o relógio, pule uma hora,
Declare o seu horário de verão.
Às vezes adianta, outras vezes não.
Desculpe a paz que foi-se embora,
As marcas deixadas que já chorei,
O lápis, o ferro em brasa
O inverso, nas marcas, do que na vida
Os poucos versos
Qualquer coisa devida
O resto intragável
A aposta perdida
E o amigo impossível
Que nunca serei.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Perdidos e achados

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De outros litorais parti,
em um novo busco porto.
Pois se entre eles vivi,
em algum me farei morto.
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Naveguei sem precisão, que navegar é preciso
E por escutar poetas, vivia me despedindo
Perdi/achei/tentei, rumos, prumos e juízos
Exatamente impreciso, ia assim me consumindo
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Agora desejo porto, praias e areia
quero restar inscrito em um litoral
E como Anchieta de mão cheia,
traçar efêmero, meu bem, meu mal.
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Para isso larguei amores,
amigos e coisas sem fim.
Voltei à Nossa Senhora das Dores,
para prestar a-tensão em mim.

achado, perdido, em um mail de 07 do 02 de 2007
redito no 09 de outubro de 2008


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Poema sem forma


Klint

Nos ocos de meu vazio
Entre margens que lá não existem
Corre um também impossível rio.

Às vezes faz litoral,
Outras, profundo interior.
Em ambos, navego mal.

Por eles atravessado
Em corte de dois sem sutura
Neles me sou naufragado.

Entre doces e travessuras
Nas abóboras sempre assombrado
Meus rios, minha aventura.
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E esse rios que correm sem mim
Cavando o barro das margens
Lambendo, da praia, as areias
Conformam o vazio que me nomeia
O centro de minhas miragens
E o buraco que brilha no fim.

E onde sou, não navego
Onde não sou, navegado
Às margens, Édipo cego
De mim mesmo exilado.
Frango, o2 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Só neste despedido



Me confesso tão cansado
Desta minha vida herivelta
De nossos pobres recados
De, em mim, o tolo poeta.

À Dalva, minha estrela-guia
Entrego minha toda renúncia
O sumo de minhas agonias
O vazio de minhas denúcias.

E espero, de coração perdido
O encontro de nosso encontro
E a escuta de um meu pedido.

Onde contaremos o conto
De um nosso amor despedido
E, da história, o devido ponto.

Frango, 29/09/08

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O nascimento do cravo



montagem fotográfica: Zédu
Para você, um cravo
Bem apimentado
Temperos fortes
Que te quero dados
Agora que és o norte
De meu (n)ovo reinventado.
E, naquilo que de ti me importa,
Te beijarei atrás da porta.
Sonho desperto,
Olhos bem abertos,
Apostando tudo
No criado-mudo
Que nos espiará, discreto.

Para M.
Frango, 24 de setembro de 2008

Herivelto







Não preciso de bengalas,
porque enxergo.
Nem de fazer as malas,
porque não me vergo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Menina com brinco de pérola























O que me encanta é a magia,
Que resiste ao nada que a sustenta
O que me seduz é a beleza,
Que resiste às carnes corroídas
O me diz é o carinho
Que resiste à ausência que se impõe ao toque.
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O que sei é o que me sinto,
Belo, encantado, acolhido
Como a pérola da qual nada sabe a concha
Me resguardo em quem não me sabe.
Escondido, escandido, nada para nenhum olhar
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Até que um pescador me colha e me revele,
Outra pérola em busca de uma menina
Que me fixe enfeite, enfeitiçada,
E me retorne ao nada donde parti.
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Para ser lido, e olhado, escutando Bizet, Les Peucheurs des Perles, de preferência cantado por Alain Vanzo
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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Botequinesca



Serviço
Garçon!
Na caipira,
de cachaça,
pouco açúcar,
e muito gelo.
O chopp,
sem colarinho.
Depois,
com afetada simpatia
e servil zelo,
favor nos deixar
sozinhos.

Reescrita e dedicada no 16 do 09 de 2008

Musiquinha infantil





Se essas ancas, essas ancas fossem minhas
Eu mandava, eu mandava a mão pousar.
Com carinhos, com carinhos de amante,
Para o meu, para o meu amor sonhar.







segunda-feira, 15 de setembro de 2008