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As belas, e as feias, que me perdoem, mas botequim é coisa de homem. Apesar dos tempos igualitários, das nossas (homens) necessidades de tê-las por perto certas horas, botequim, no fim das contas, continua coisa de homem. Ou vocês conhecem algum que, cheio de freguesas, olha estranhado para um homem que entra? Ou uma mesa de botequim com zentas moças e dois moços fazendo figuração enquanto elas discutem "coisas de mulher"? Ou algum botequim onde a moça, no meio de um porre inesquecível, pelo menos até o raiar do próximo dia, fecha o bar bebendo um eterno "mais um" com o dono/gerente da casa, ou com o garçon anônimo sem intenções de tracá-lo after hours? Houvessem os botequins das moças, eles não durariam muito, invadidos que seriam pelos caçadores desocupados. Mas, botequim que se preza não é território de caça e, por isso, continuam coisa de macho. Botequim não é barzinho, nem point, nem castelo de Caras, muito menos "espaços culturais", apesar de não conhecer outro espaço tão cultural quanto um botequim, como tento demonstrar nesta postagem.
Não que isso seja uma vantagem dos homens, até porque são coisa de macho por que neles impera a Mulher, nas conversas, nas confissões, nos choros, nas ironias falsas, em tudo aquilo que só um bando de macho sustenta no faz de conta que os alivia. Uma mulher, real, de CPF e lousa e tal, só atrapalha a nossa eterna ligação com a "Mulher", essa mesma que Lacan insiste em dizer não haver e que, nós homens, teimamos em sofrê-las com o se fossem as pequenas mulheres de nossos desenganos. E toma dor de corno, especialidade de qualquer botequim que se preze, mesmo quando para não falar deles falamos de mil outras coisas, futebol, mulher dos outros, outros cornos, mal do PT, sociologia profunda sem colarinho, amizades fundamentais que nunca ultrapassam a porta de saída do bar, etc e tal.
Pois dor de corno é outra coisa que só homem sente. Talvez porque as mulheres tenham sido feitas, por definição, para serem "traídas", sendo as aspas em questão as aspas que sempre colocamos nas constantes eventuais traições que, nós homens, cometemos; ou seja, elas não são nunca corneadas, vivem o, delas, destino. "Traímos", mais das vezes, sem amor, da mesma forma como somos capazes de fazer sexo ou seduzir moças, só para nosso solitário divertimento, ou para a prova do teorema de nós mesmos, ou para contar aos amigos no botequim. Diferente das mulheres, que sempre traem por amor, só dão por afeto, isto é, traem, colocam chifres, nos arrasam a masculinidade pressuposta, nos injuriam a testa, dividem o nosso amor (não conto aqui as sem homens, que são mais fáceis mas, por definição, nunca têm quem trair). Daí o fato de um belo par de chifres ser coisa só dos veados machos, como a própria natureza nos ensina (o que, levado às últimas consequências da analogia, nos faria, homens, todos meio veados, coisa que sabemos ser vera, por nossa, homens, impossibilidade de querermos outro sexo que não o nosso, isto é, o grande defeito das mulheres, aquilo que nos faz, em última instância, veados misóginos, é que elas nunca serão nossas companheiras de botequim, nosso templo mais sagrado (homem que não gosta de botequim? los hay, mas .....) - importante para a argumentação: botequim é diferente de "barzinho", essa coisa modernosa onde homens e mulheres bebem cerveja juntos e ninguém fica after hours chorando no Balcão).
Não sei se vocês, queridas leitoras (onde andarão os meus leitores machos? ou, como quase me garantem olhares e sorrisos dos botequins que frequento, blog é coisa meio assim "Diário da Margarida"? Qui lo sá, Vardemá!) me acompanham na concordância, mas that´s it, like it or not!. Botequim e dor de corno são coisa de macho! E se aqui não fiquei bem provado a culpa é da exiguidade do espaço, e do saco, já que o espaço é meu, que me impedem tratado mais bem fundamentado, em alongamentos (não, nada que ver com aqueles que vocês, mulheres, fazem nas academias, coisa de mulher e boitolas). Dou os pontos como provados e continuo.
Mas, em sendo coisa de machos, botequins e dor de cornos variam no de acordo com a linguagem do macho em questão, com o Outro que o determina em intimidades sociais, num reconhecimento que a histeria das mulheres jamais será capaz (as mulheres tendem a acreditar num Outro possível que encontrarão no próximo romance, enquanto os homens sabe que eles não são Ele, nem nunca serão, merda!). Ou seja, apesar do botequim ser o templo onde ofertamos em público as nossas dores, doemos na linguagem, na especificidade de um Outro que faz social com a gente (e até conosco bebe cerveja), nessa intimidade desconhecente que a cultura permite e determina.
Vejam, por exemplo, Frank e Nelson, ou Sinatra and Mr. Gonçalves. Vejam as músicas, a elegância swingenta de um versus o esculachado tango do outro, o papel do botequim do carcamano de olhos azuis (a conversa solitária com o moço detrás do balcão no final da noite) e o do cafona brasileiro a convocar mais e mais gente para afogar, em bebida e confissões públicas, suas respectivas dores de corno (aqui me corrijo, antes que fique a impressaõ de que trocamos dores de corno uns com os outros em uma mesma noite; nada mais falso! a cada dia o corno da hora é exclusivo e pode contar com a total solidariedade dos outros homens na mesa, até que o dia raia, se vá dormir e o amanhã determine um outro corno, que não tem coisa mais chata do que o corno constante).
O que os une, solidários, no balcão do final de noite, ou pagando a rodada dos desconhecidos e amigos, é a solidão que Hopper expressa. No caso de Sinatra, uma solidão que se revela na música e no desacompanhamento; no caso de Nersão, no tango rasgado, bem mais visceral, e no convite à multidão botequinesca que consome com ele sem, no fundo, fazer suas dores consumidas. Em ambos, uma mesma solidão, que as dores são sempre assim, particulares, mesmo quando as fazemos semi-públicas.Há sempre um depois do botequim, uma cama vazia, uma lembrança vadia, um encontro com si mesmo, Sinatra ou Nelson.
Poderia elaborar ainda muito mais, falar das mulheres que só fazem fundo para Nersão no filminho, as mesmas que aqui, e lá, têm o botequim como impedido, dos homens solitários de Frank, e da mesmice da solidão em suas duas vertentes. Mas, se vocês prestarem atenção, o filminhho diz tudo, das diferenças e das mesmices, e, principalmente, das dores e igrejas dos homens de todos os tempos.
E chega de sociologia barata que barata é coisa de botequim, mesmo que nunca apareçam nos filmes de Hollywood. As via aos montes no Leblon, quando fechava o bar trocando papos ébrios com o Azeitona que me patronava. Hoje quase não as vejo no Frango, talvez por me faltarem as dores de corno que as atraem. Mas, vivido, elaboro, sobre botequins, homens, músicas, imagens, baratas e amores mal passados. Na falta de água benta exagero na pretensão, coisa que me garante a avó de meu discurso, não faz mal a ninguém.
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PS. E pensar que tudo começou como começam muitas coisas nesse blog. Eu havia descoberto uma maneira de "fundir música" e resolvi experimentar com essas duas que já havia postado anteriormente. Daí, tive que inventar filminho, caçar imagens, publicar a coisa no YouTube, etc e tal. Quando me dei conta, tinha um filme ainda mudo pedindo por algumas palavras. Acho que exagerei, culpa do Frango onde nem pensei nisso mas tomei algumas.Vocês hão de me desculpar. Ou não, como nunca saberei pelos comentários que nunca se escrevem, apesar de todos os santos tantos que aqui me conta o contador.
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PS2. Nelson Gonçalves, queiram ou não, é um pouco nosso Sinatra. Só não o é todo por já ter começado cantar depois da invasão americana nas formas de nossos sonhos. Mais ainda, as duas músicas são quase da mesma data; a de Nelson de 1955, a de Sinatra de 1958. A de Frank, conceitual como o LP onde surgiu (se esquecermos Ava e seu toureiro), a de Nelson a vida como ela é, bem antes do outro Nelson, o Rodrigues vestido de noiva.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Carcamano, meio baixo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares, mas mesmo assim... (1ª ed.)

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A postagem sobre Sinatra e Ava Gardner merece uma complementação, até para ser justo com o ídolo de minha querida Anna, meus dois n´s preferidos. Pois se Tim Maia, o síndico, se dizia "preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares", o queridinho da Anna só teria em comum com o gordinho genial a cafajestice, as deficiências capilares e um enorme par de chifres que ganhou na época da Ava, cobra criada que bem poderia trocar o A por um E no nome. Assim, é verdade que por alguns anos, entre a separação de fato e a legal, Frank teve que suportar saber da moça em outras touradas, com um cara especialista em evitar os chifres que lhe ornavam a testa.
Mas, e aí vem a justiça, que mesmo tardando nunca falha (com exceção, é claro, do nosso amado, salve, salve, país tropical, que tem uma justiça jaboticaba, coisa só nossa, para orgulho de todos os filhos da mãe gentil e alívio do Daniel Dantas), Sinatra não passou aqueles anos de cotovelos enterrados nos botequins (One for My Baby and Another One for The Road, como já aqui postei, sob elogios rasgados de Mestre Sé, o boa praça), nem arrancou os cabelos que já ameaçavam a ruína final. Gostando muito mais dele mesmo, Sinatra dava uma no prego, outra na ferradura.
O fato é que, vindo de um final dos 40´s meio decadente (no final do ano de 1948, bélissimo ano aliás, Sinatra era somente o 4ª cantor mais popular da América, perdendo para Billy Eckstine, Frankie Laine, e Bing Crosby. Enquanto isso, Ava só fazia aumentar o seu sucesso cinematográfico. E foi pelas mãos dela que o moço ganhou um papel em A Um Passo da Eternidade, desempenho que lhe deu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante daquele ano e, daí para frente, firmou sua carreira cinematográfica. No mesmo ano, lá para o final, vieram as touradas de |Madrid, a amarga dor de corno e um período de faz de conta que eu nem ligo.
Nesse período aconteceram alguns dos melhores discos de Sinatra. Uns no estilo "Lupiscinio", como In the Wee Small Hours (1955), Frank Sinatra Sings For Only The Lonely (1958, e LP onde gravou One for The Road...), e Where Are You? (1957). Ao mesmo tempo, e logo após a separação, grava também Swing Easy! (1954), Songs For Swingin' Lovers (1956), e Come Fly With Me (1957), num estilo swingado, alegre e completamente diferente. Ou seja, o moço oscilava mas não caía. O sucesso musical voltava, seja com os discos "blues", seja com aqueles cheios de swing.
Mas, seja como for, sujeito dividido ou não, doído ou doido, as porradas da vida, e o sucesso nas telas, nos fizeram muito bem. Permitiram a gravação de um Sinatra no auge da sua maturidade como cantor, e nos legaram algumas canções que até hoje soam modernas. Coisa do gênio que Sinatra foi. O cantor genial, maior que o homem Sinatra, foi capaz de fazer beleza de seus demônios interiores.
Escolhi o LP Songs for Swing´ Lovers, outro dos 1001 discos que você deve escutar antes de morrer, para representa o swinging Sinatra. Na dúvida entre duas belas músicas, e odiando tomar decisões, deixo-vos com ambas. Too Marvelous for Words e a inesquecível I´ve Got You Under My Skin, obra-prima de Cole Portes que Sinatra fez quase sua marca registrada. Com isso, empatamos o jogo do vai e vem de Sinatra nos anos 50: duas "deprê"( One for The Road e In The Wee Hours), duas puro swing.
Mas como The Old Blues Eyes era um gênio, uma hora ele volta, para além dessa história de chifre, toureiros e um belo animal chamada Ava.
Divirtam-se!
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Dedicado a Anna Maria
(tem crase, Anninha?)
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Ava Gardner, quem diria, acabou no Carambolas
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Ava Gardner, quem conheceu, conheceu; quem não conheceu, não saberá nunca. A moça era um arraso que só naqueles tempos da década de 50 as moças ainda podiam ser. Devorava homens no palitinho e, até (tolinha!), casou com alguns.
Casou, por exemplo, com Mickey Rooney (o menino prodígio de Hollywood; argh!) em 1942, casamento que durou um mísero (ou interminável, dependendo do ponto de vista) ano e quatro meses, onde as brigas ocuparam quase que todo o tempo. Depois, veio Artie Shaw, em 1945, e bem que ele, famoso bandleader, bem mais velho que ela (do garotinho "prodígio" ao homem maduro, Ava meio que antecede a tentativa da Monroe com Arthur Miller), tentou, homem culto e inteligente que era, transformar a moça bruta (´ssa mania que os "homens cultos", e mais velhos, têm de esculpir a mulher bruta que recebem, meio assim um complexo de Pigmalião, coisa que, na melhor, acaba resultando em um My Fair Lady e, na pior, num "cansei!" da moça). Durou 1 ano e sete dias o casamento e o experimento. Ela cansou!
Em 1951 casou com Frank Sinatra, que não era culto, era tão ídolo quanto ela, era adorado por todas as mulheres americanas da época (uma espécie de Chico muito bem temperado, mas com uma baita saudade da mamma). Pois é, o casamento durou 2 anos, apesar de ter acabado oficialmente só em 1957. Nesse meio tempo, o queridinho das mulheres da América teve que suportar o caso de Ava com Luis Dominguin, toureiro espanhol que colocou um belo par de chifres nos lindos olhos azuis do moço, que ficou toureando vento na América enquanto ela colocava as banderillas no espanhol.
Sinatra, que sempre foi um italianinho romântico metido a durão, aprendeu a dor de cotovelo, a testa dolorida, a vaidade ferida, o blues da perda, o choro musical. Tudo pelo amor de uma mulher que o poeta Jean Cocteau chamou de "o mais belo animal do mundo" (tadinha das Giseles Bunchens!).
Tá certo que a moça, depois do Sinatra, oficialmente não casou com mais ninguém até morrer em 1990, apesar das toureadas com o Dominguin em questão por vários anos. Mas, coincidência ou não, o moço com os olhos azuis mais sedutores do planeta (daquela época em que, se vocês ainda não perceberam, o planeta era outro mundo) entra numa fossa de dar dó. E, com arranjos de Nelson Riddle, grava, em 1955, seu primeiro LP de 12 polegadas (LP, 12 polegadas, atenção crianças!) assim meio temático, ou seja, um "disco conceitual", todo ele falando da dor do amor, dos amores perdidos, da mulher impossível (percebam, ainda casado com a moça que vivia em olés com o toureiro; shame, shame, shame!!!). O LP chamou-se In the wee small hours, a capa foi uma das primeiras a refletir, graficamente, o "tom" do disco (e fez muito sucesso na época em que a arte das capas dos LP´s ainda era uma grande novidade, e que vocês podem conferir, sem entender, na imagem que abre o filminho), e todo ele, LP, era um Sinatra meio assim uma espécie de Lupiscínio cantando a mulher perdida (com duplo sentido, please!), os amores inúteis, a solidão não escolhida. A dor de corno não enxerga a cor dos olhos, nem o amor do "mercado", como ficou definitivamente provado desde então.
O coitado, depois de Ava, onde foi figurante, resolve virar ator e quando casa novamente, em 1966, escolhe Mia Farrow, ele cinquentão, ela com 21 anos, magrinha de cabelinhos curtos, o oposto da volúpia anterior. E, depois da mãe do bebe de Rosemary, em 1976, acaba os seus dias com a ex mulher de Zeppo Marx, o mais sem graça dos irmãos marxistas. Entenderam o estrago? Ava arrasou, ou não, o homem mais amado do planeta?
De qualquer maneira, como bem sabemos, a dor de corno é altamente produtiva artisticamente, tanto que o LP que o moço chorou em 1955, é o primeiro LP analisado no livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die de Robert Dimer e, em 2007, foi eleito pela revista Time, um dos 100 melhores Albuns de todos os tempos. A música que nomeia o LP, In The Wee Small Hours Of The Morning, abre o disco e é o que aqui apresento aos meus queridos, cada vez mais, ouvintes.
Mas, pensando bem, eu deveria ter feito o "filminho" só com imagens da moça Ava, verdadeira autora dos sentimentos que Sinatra chorou no disco. Agora é tarde!
PS. Se vocês quiserem escutar esses 1001 Albuns antes que vocês morram, cliquem aqui que uns romenos malucos separaram, album a album, todos eles para vocês.
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Ava Gardner, quem conheceu, conheceu; quem não conheceu, não saberá nunca. A moça era um arraso que só naqueles tempos da década de 50 as moças ainda podiam ser. Devorava homens no palitinho e, até (tolinha!), casou com alguns.
Casou, por exemplo, com Mickey Rooney (o menino prodígio de Hollywood; argh!) em 1942, casamento que durou um mísero (ou interminável, dependendo do ponto de vista) ano e quatro meses, onde as brigas ocuparam quase que todo o tempo. Depois, veio Artie Shaw, em 1945, e bem que ele, famoso bandleader, bem mais velho que ela (do garotinho "prodígio" ao homem maduro, Ava meio que antecede a tentativa da Monroe com Arthur Miller), tentou, homem culto e inteligente que era, transformar a moça bruta (´ssa mania que os "homens cultos", e mais velhos, têm de esculpir a mulher bruta que recebem, meio assim um complexo de Pigmalião, coisa que, na melhor, acaba resultando em um My Fair Lady e, na pior, num "cansei!" da moça). Durou 1 ano e sete dias o casamento e o experimento. Ela cansou!
Em 1951 casou com Frank Sinatra, que não era culto, era tão ídolo quanto ela, era adorado por todas as mulheres americanas da época (uma espécie de Chico muito bem temperado, mas com uma baita saudade da mamma). Pois é, o casamento durou 2 anos, apesar de ter acabado oficialmente só em 1957. Nesse meio tempo, o queridinho das mulheres da América teve que suportar o caso de Ava com Luis Dominguin, toureiro espanhol que colocou um belo par de chifres nos lindos olhos azuis do moço, que ficou toureando vento na América enquanto ela colocava as banderillas no espanhol.
Sinatra, que sempre foi um italianinho romântico metido a durão, aprendeu a dor de cotovelo, a testa dolorida, a vaidade ferida, o blues da perda, o choro musical. Tudo pelo amor de uma mulher que o poeta Jean Cocteau chamou de "o mais belo animal do mundo" (tadinha das Giseles Bunchens!).
Tá certo que a moça, depois do Sinatra, oficialmente não casou com mais ninguém até morrer em 1990, apesar das toureadas com o Dominguin em questão por vários anos. Mas, coincidência ou não, o moço com os olhos azuis mais sedutores do planeta (daquela época em que, se vocês ainda não perceberam, o planeta era outro mundo) entra numa fossa de dar dó. E, com arranjos de Nelson Riddle, grava, em 1955, seu primeiro LP de 12 polegadas (LP, 12 polegadas, atenção crianças!) assim meio temático, ou seja, um "disco conceitual", todo ele falando da dor do amor, dos amores perdidos, da mulher impossível (percebam, ainda casado com a moça que vivia em olés com o toureiro; shame, shame, shame!!!). O LP chamou-se In the wee small hours, a capa foi uma das primeiras a refletir, graficamente, o "tom" do disco (e fez muito sucesso na época em que a arte das capas dos LP´s ainda era uma grande novidade, e que vocês podem conferir, sem entender, na imagem que abre o filminho), e todo ele, LP, era um Sinatra meio assim uma espécie de Lupiscínio cantando a mulher perdida (com duplo sentido, please!), os amores inúteis, a solidão não escolhida. A dor de corno não enxerga a cor dos olhos, nem o amor do "mercado", como ficou definitivamente provado desde então.
O coitado, depois de Ava, onde foi figurante, resolve virar ator e quando casa novamente, em 1966, escolhe Mia Farrow, ele cinquentão, ela com 21 anos, magrinha de cabelinhos curtos, o oposto da volúpia anterior. E, depois da mãe do bebe de Rosemary, em 1976, acaba os seus dias com a ex mulher de Zeppo Marx, o mais sem graça dos irmãos marxistas. Entenderam o estrago? Ava arrasou, ou não, o homem mais amado do planeta?
De qualquer maneira, como bem sabemos, a dor de corno é altamente produtiva artisticamente, tanto que o LP que o moço chorou em 1955, é o primeiro LP analisado no livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die de Robert Dimer e, em 2007, foi eleito pela revista Time, um dos 100 melhores Albuns de todos os tempos. A música que nomeia o LP, In The Wee Small Hours Of The Morning, abre o disco e é o que aqui apresento aos meus queridos, cada vez mais, ouvintes.
Mas, pensando bem, eu deveria ter feito o "filminho" só com imagens da moça Ava, verdadeira autora dos sentimentos que Sinatra chorou no disco. Agora é tarde!
PS. Se vocês quiserem escutar esses 1001 Albuns antes que vocês morram, cliquem aqui que uns romenos malucos separaram, album a album, todos eles para vocês.
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sábado, 12 de julho de 2008
Lei sêca
Eu queria fazer uma postagem sobre o Frango, sobre o bar onde este blog se escreve e se pensa. Queria inventar um filminho que colocasse música em imagens que contariam para todos um pouco do que o Frango é.
Pois o Frango não é tão simples de definir. É um botequim, claro, mas um que não se enquadra exatamente, ou mesmo quase exatamente como lembraria o engenheiro em mim, em algumas das categorias hoje vigentes: chique, de grife, metido a diferente, pé sujo, bar da molecada da Unicamp (categoria barão-geraldense), mais ou menos qualquer das coisas acima, uma lista quase tão grande quanto aquelas que Borges organizava nas suas malucas classificações. O Frango é, no que me diz respeito, inclassificável, em todos os sentidos da palavra.
Assim saí eu, me metendo a me pensar capaz de ensaiar, fotograficamente, esse Frango que me identifica e afeta. A bateria da máquina foi mais esperta que eu e resolveu ser melhor arriar-se do que submeter-se à bobagem proposta.
Pior, que aqui confesso: a música que o Frango sustentaria com suas imagens, com um certo imaginário que no vídeo se venderia, seria uma coisa longe do espírito do lugar, ainda que falasse em bebidas e bêbados. O Frango não será jamais um bar daqueles americanos onde, no balcão (nome de bar classificável de São Paulo, o Balcão, que até me garantem bom), alguém se afoga no whiskey e na suposta intimidade com o garçom, como cansamos de ver encenado em filmes americanos. Coisa que não faz a música ruim, mas não coloca o Frango nela.
Logo, desistido que fui de minha tentativa de antropologia do Frango pelo mais saber da bateria de minha máquina, restei com a música, que postarei assim mesmo. E fico devendo algum Frango, com alguma outra música, algum outro momento.
Mas faço, em memória de todos os nossos botequins, seja o Rick´s de Casablanca e seu amor impossível, seja aquele em que cada um foi infeliz em algum fim de noite. E desejando que todos vocês possam curtir o vídeo sem estarem, como não estou, um infeliz de botequim.
Beijos de botequim!
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