Pois o Frango não é tão simples de definir. É um botequim, claro, mas um que não se enquadra exatamente, ou mesmo quase exatamente como lembraria o engenheiro em mim, em algumas das categorias hoje vigentes: chique, de grife, metido a diferente, pé sujo, bar da molecada da Unicamp (categoria barão-geraldense), mais ou menos qualquer das coisas acima, uma lista quase tão grande quanto aquelas que Borges organizava nas suas malucas classificações. O Frango é, no que me diz respeito, inclassificável, em todos os sentidos da palavra.
Assim saí eu, me metendo a me pensar capaz de ensaiar, fotograficamente, esse Frango que me identifica e afeta. A bateria da máquina foi mais esperta que eu e resolveu ser melhor arriar-se do que submeter-se à bobagem proposta.
Pior, que aqui confesso: a música que o Frango sustentaria com suas imagens, com um certo imaginário que no vídeo se venderia, seria uma coisa longe do espírito do lugar, ainda que falasse em bebidas e bêbados. O Frango não será jamais um bar daqueles americanos onde, no balcão (nome de bar classificável de São Paulo, o Balcão, que até me garantem bom), alguém se afoga no whiskey e na suposta intimidade com o garçom, como cansamos de ver encenado em filmes americanos. Coisa que não faz a música ruim, mas não coloca o Frango nela.
Logo, desistido que fui de minha tentativa de antropologia do Frango pelo mais saber da bateria de minha máquina, restei com a música, que postarei assim mesmo. E fico devendo algum Frango, com alguma outra música, algum outro momento.
Mas faço, em memória de todos os nossos botequins, seja o Rick´s de Casablanca e seu amor impossível, seja aquele em que cada um foi infeliz em algum fim de noite. E desejando que todos vocês possam curtir o vídeo sem estarem, como não estou, um infeliz de botequim.
Beijos de botequim!