quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coisas de abril nº 1


Os ossos do Barão e os dentes do Leão

I.
Ando achando todas as mulheres gostosas
Peitos, bundas, entrepernas, semblantes e caminhares.
Me parecem lindas, plenas, serenas, e cheias de prosa
Fêmeas bem ditas, muito mulheres, carnes aos milhares.

Tesam-me a mente, recordam-me sonhos
Revolvem passados, acordam a besta.
Mas no olhá-las quieto, por detrás tristonho,
Descubro que já não sou fauno, virei esteta.

II
Guardo ainda alguma beleza
Um leve toque de realeza
Pinceladas de charmosa tristeza
Sucesso com minhas nêgas Tereza.

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Bar do Frango, 18 de abril de 2007
Publicado originalmente no dia em que foi escrito

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Frestas Venezianas, o poema que nunca foi dito

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Pois há futuro em nossas janelas,
Como em minha boca, um gosto ocre,
Me pinta um amor de aquarelas
Que faz de teu fel um resto doce.

Embriagado de ti, em ti me rendo
Ao teu de mim desconhecido
Nem te perdendo, nem te vendo,
Me entrego cego, reconhecido.

E busco ternuras de calendário,
Aos teus encantos, por fim, rendido.
De mim mesmo, meu adversário,
Me perco em ti, seu teu querido.

E busco o doce em tuas mãos,
Nelas me agarro, sobrevivente,
Como quem nega a própria razão
Na desmedida que nos faz gente.

E à tua pele dou a tensão
De ser nela a pele minha.
E aqui te faço minha perdição,
Meu sonho, minha alquimia.
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terça-feira, 31 de março de 2009

Poeminha besta nº 3


Com águas e vinhos te beberei.
E no seio de tuas carnes,
te beber toda eu buscarei.

Assim, bem assim, sem pudor,
te lamberei inteira
te chuparei com ardor.

E minha boca há de beber
de você o tudo que há
até que nada mais possa haver.

E te darei, da minha, na tua boca,
os sucos que experimentarei
neste te deixar bem louca.

Depois, como cicuta,
morreremos de amor,
um homem e sua puta!

Poeminha besta nº 2


Temos a mesma pele,
descobri anos depois.
É isso que nos impele
a sermos um, sendo dois.
Amar é ter a mesma pele,
o resto vem depois.


Torquato da Luz

Poeminha besta nº 1


Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante
boca milvalente
o corpo dois em um
o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 29 de março de 2009

Enquanto isso, em mim....

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Crisma!

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O que me encanta é a magia,
Que resiste ao nada que a sustenta
O que me seduz é a beleza,
Que resiste às carnes corroídas
O me diz é o carinho
Que resiste à ausência que se impõe ao toque.
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O que sei é o que me sinto,
Belo, encantado, acolhido
Como a pérola da qual nada sabe a concha
Me resguardo em quem não me sabe.
Escondido, escandido, nada para nenhum olhar
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Até que um pescador me colha e me revele,
Outra pérola em busca de uma menina
Que me fixe enfeite, enfeitiçada,
E me retorne ao nada donde parti.

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Para ser lido, e olhado, escutando Bizet, Les Peucheurs des Perles, de preferência cantado por Alain Vanzo
Publicado pela primeira vez em algum momento do início de 2007

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