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A Internet nos fez a todos piratas, graças a Deus! Roubamos, sem nenhum remorso, vídeos, palavras, músicas, filmes, como se as ondas da Internet fossem calmas, e sem lei, como já o foram as transparentes águas do Caribe dos corsários dos bons tempos das pilhagens oficiais que eram pilhadas pelos bucaneiros particulares. Como antes, pilhamos riquezas e belezuras, coisas que tornamos nossas como se nossas sempre tivessem sido, sem culpa ou remorso, na certeza de que as coisas intelectuais são pássaros que voam na criação e, a partir daí, são das mãos que as (a)colherem. Este vídeo, por exemplo, roubei lá no YouTube, coloquei as legendas que não haviam e, como me pediu a suposta Célia, tento agora compor um "texto bacana", coisa que não posso roubar em lugar algum, a não ser desse tesouro pirata que fui guardando nos escondidinhos de minha cabeça pelos últimos 60 anos.
Mas o pedido, inusitado nesse blog que tropeça em sua falta de foco, e que se justifica nas carambolas que lhes dominam nome e intenções, fala de uma outra pirataria: a dos nomes, se não surrupiados, inventados no vai da valsa, no sobe e desce das marés que nos navegam a vida e os amores, na falta de compromisso com o assinar-se, no faz de conta que sou "Lia Regina" (nome improvável para um tal uso orgulhoso), até mesmo o da querida Célia, que me pede, depois me agradece dicas que não sei para que Célias dei, me deseja bons dias sem que dela só se ofereçam as mensagens cifradas, as pistas molhadas, a covardia envergonhada. Seria essa outra forma de pirataria? Ou seriam almas corsárias, malandras como me garante Houaiss na significação da coisa, dissimuladas, de intenções bucaneiras que o semi anonimato lhes permite? Envergonhadas senhorinhas, incapazes de aceitar a vida como ela é, noivas de Nelson Rodrigues sem coragem da vergonha publicada?
Talvez contem com minha curiosidade, com minha paixão pelas coisas de detetives, pela minha lógica engenheira a juntar qualquer lé com um cré qualquer, e disso tirar conclusões de nomes que não se ousam, que escapam na possibilidade da negação, seja qual for o raciocínio que os desvela. Ou seja, são e não são, covademente escondidos nas minúsculas baías que o mar internético proporciona, nomes improváveis, corsários do Houaiss cheio de intenções do tamanho de suas almas pequenas. Não valem a pena, as penas, nem as melenas de meu Sansão de cãs cansadas.
Pois, se ser blogueiro é ter de conviver com o anonimato, é difícil suportar o semi-anônimo, aquele que nos deixa comentários pessoais, insinua amores e suspiros, e foge para as sombras, nos deixando com as possibilidades, sempre poucas, dos que nos dedos contamos (a maioria descartada por não covardia pressuposta). Cansam esses comentários, as Lias que nem justificam que Edu as cante (mas um dia, só pela música, ainda aqui elogio essa outra Lia, da ilha que o Lobo cantou), até mesmo a Célia que originou essa postagem, que me agradece dicas e me deseja domingos, e, provavelmente se cobrada por um "Foi você?", recuaria indignada nas sombras da bandeira das tíbias cruzadas.
No entanto, o pedido me lembrou a música, coisa linda dos tempos que J.Bosco ainda parceirava com A.Blanc, e que Elis os paparicava com carinhos de madrinha. O mesmo Corsário que Zizi, elegância que sempre me surpreendeu até que eu percebesse que o bobo era eu, ela era elegante e ponto, cantasse sem nada a dever à madrinha dos parceiros geniais. De uma dica da suposta Célia, que queria a coisa corsária com a Zizi (e "texto bacana" que depois aspeamos, eu e "ela", sempre cheia de aspas e insinuações), acabei descobrindo essa linda montagem das duas grandes cantoras, coisa que pirateei do YouTube, coloquei legendas e fiz um vídeo piratamente meu.
Pirata, eu? Claro que sim. Mas de nome próprio. A minha bandeira leva minha caveira e as tíbias de um Pipoca encarnado, tonto orgulhoso desse já meio longo caminhar, apesar das Lias, rainhas ou não, das Célias e seus abraços, de todo o povo que aqui se esconde, na maioria tolinhos de covardias pequenas, máscaras transparentes que denúncia alguma alcança. Que venham à luz, icem suas bandeiras, apresentem-se. Ou calem-se para sempre, até que o blog nos separe.
De qualquer forma, pedido que me fez vazar indignações blogueiras, a música é linda, Zizi é ótima, Elis canta cada vez melhor, e João Bosco e Aldir Blanc deveriam ter permanecido casados forever. Ou será que João entra no site de Aldir, ou vice versa, e se assina, amorosamente, Alfredo? Ou Alcides? E deixa, pensando-se muito esperto, um Dois prá lá, Dois prá cá, só para chatear o antigo companheiro? Quer dançar? Arrisque a "tábua", como dizíamos nos tempos de meus antigamente.
Querida Célia/Lia/whatever, ficou bacana o texto?
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