domingo, 4 de janeiro de 2009

Velho Ano Novo

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Sin embargo mi muevo

De cuando en cuando soy feliz!,
opiné delante de un sabio
que me examinó sin pasión
y me demostró mis errores.

Tal vez no había salvación
para mis dientes averiados,
uno por uno se extraviaron
los pelos de mi cabellera:
mejor era no discutir
sobre mi tráquea cavernosa:
en cuanto al cauce coronario
estaba lleno de advertencias
como el hígado tenebroso
que no me servia de escudo
o este riñón conspirativo.
Y con mi próstata melancólica
y los caprichos de mi uretra
me conducían sin apuro
a un analítico final.

Mirando frente a frente al sabio
sin decidirme a sucumbir
le mostré que podía ver,
palpar, oír y padecer
en otra ocasión favorable.
Y que me dejara el placer
de ser amado y de querer:
me buscaría algún amor
por un mes o por una semana
o por un penúltimo día.

El hombre sabio y desdeñoso
me miró con la indiferencia
de los camellos por la luna
y decidió orgullosamente
olvidarse de mi organismo.

Desde entonces no estoy seguro
de si yo debo obedecer
a su decreto de morirme
o si debo sentirme bien
como mi cuerpo me aconseja.

Y en esta duda yo no sé
si dedicarme a meditar
o alimentarme de claveles.
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Pablo Neruda

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O blog tirou férias


Feliz Natal a todos!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pirata de Pindamonhangaba


Nem sei se vocês repararam, mas comecei a postar os vídeos a partir do YouTube. Ou seja, invento os filminhos como sempre fiz, alguns bonitinhos, outros devendo em imaginação, paciência e técnica, e faço o upload dos mesmos no YouTube antes de colá-los à postagem que me interessa. E faço isso por duas razões principais: a) é mais rápido o processo de upload no YouTube do que por aqui no blogger; e, b) o YouTube virou outro lugar onde zedupoca exerce o exibido que lhe é natural (e onde, alvíssaras, até homens me comentam).
Mas, como venho descobrindo, lá os "donos das músicas" são muito mais atentos, e chatos. E a pirataria, às vezes, é punida e proibida. Como aconteceu com um vídeo que postei aqui nos tempos em que o aqui vinha primeiro. A música era What´s New com Billie Holliday (antes só os donos da Elis ou do Tom, nunca vou saber, haviam me proibido de colocar o Soneto da Separação como eu havia feito em casa). Pois é, meses depois a coisa foi vetada por lá, os donos dos direitos me proibiram de veicular o filminho com a música deles. Me pegaram de surpresa, pirata denunciado, bucaneiro de calças na mão. E lá se foi, banido para o fundo da popa do galeão, ou pior, condenado a andar em alguma prancha internética, minha pobre pirataria, minha usurpação dos direitos de outrem.
É bem verdade que em várias outras ocasiões os donos das músicas já haviam comparecido, deixando claro que a "nêga" lhes pertencia mas, ainda assim, generosos, me permitiam continuar a usá-las em minhas inconfessáveis razões youtúbicas. Coisas que meu amigo Jorge entende e defende, essas coisas do direito aos passarinhos que nos caem nas mãos ou nos ouvidos Eu, pirata, me confesso e sigo em frente, busco outras caravelas para abordar, outras pepitas para roubar, outros tesouros para usurpar, covardemente internético, ousadamente corsário, insistentemente bucaneiro.
Se ainda me barrassem pela má qualidade dos vídeos que associo às músicas, ainda entenderia. Afinal, a coisa é sempre estética mais do que ética. E eu devia aprender melhor as imagens antes de juntá-las com as músicas lindas. Mas não, a coisa é só um exercício prepotente de um direito "intelectual" à obra, um deixar claro que nas nêgas deles não posso por a mão e, absurdo, demonstrá-las, com as roupinhas com que as enfeito, para minhas poucas dezenas de youtubeouvintes.
Assim, barrado do baile da Billie, meio assim p. da vida, criei outro filminho quase igual, mesma imagem, mesma música, só que agora tocada no sax gentil de John Coltrane. Fiz, uploudei e, os donos do Coltrane reivindicaram posse mas me concederam a graça de exibir minha pequena obra-prima nos ares dos tubos de vocês.
E Pindamonhangaba, o que tem a ver com tudo isso? Bom, ter até que tem, mas conto outra hora. E até já sei com que música retomarei minhas lembranças de Pinda, meu estágio final antes de virar o engenheiro que nunca me tornei. Aguardem, Pinda will return!!
Por enquanto, fiquem com meu único vídeo feito só de raiva. Ficou a cara de seu motivo. Mas a música é linda, Coltrane um gênio e, principalmente, o blog precisa andar um pouco por dia.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Poema recolhido

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Eu vou guardar cada lugar teu

ancorado em cada lugar meu

e hoje apenas isso me faz acreditar

que eu vou chegar contigo

onde só chega quem não

tem medo de naufragar...

Mafalda Vega
Para A. Q.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

Nós entre laçadas


foto: Inês

Quiero que sepas
una cosa.

Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.

Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.

Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.

Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.

Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos.

Pablo Neruda

sábado, 13 de dezembro de 2008

Gilza por detrás da Lua


São raros os dias em que não me lembro dela, nem que seja por alguns segundos, no antes de dormir, no momento da avaliação do dia e, principalmente, no de sonhar o amanhã. Mas sempre é uma coisa fugaz, um pensamento que vem e se assopra fora por si mesmo. Não tenho lembranças insistentes, só as que quero lembradas e as que me referenciam nessa vida que inaugurei depois que a morte nos separou.
Mas hoje foi diferente, hoje é data marcada, a ferro e brasa, em meu calendário perpétuo. E, hoje, com ela meio cicatrizada, estava eu no Frango, solitário como fazia muito tempo não me permitiam os chatos do lugar. Caderno em punho, cerveja gelada, Pipoca particularmente carente e demandante (sabia? às vezes penso que esses bichinhos são mais do que os supomos e sabem das coisas que nos vão pelas almas), IPod no ouvido,
Antonio (bela recomendação de Nina) para ler, a noite começava com uma tentativa de fazer dela uma outra noite no Frango, igual a tantas outras, só aproveitando a solidão, atualmente tão rara por lá, para deixar vazar os pensamentos e, quem sabe, algumas linhas escritas de que ando tão saudoso. O livro permaneceu fechado, os ouvidos atentos, mais ou menos flutuantes, a sede de sempre sendo aplacada, ela comigo naquilo que dela em mim restou.
De repente, assim sem que eu esperasse, uma baita lua cheia clareou o detrás das árvores que de lá se avistam. E a traquitana ipódica, meio como em combinação com os astros, começou a tocar Nana Caymmi, na Voz e Suor que gravou com César Camargo Mariano. Aí me rendi, cometi soneto, eu que vinha seco e mudo nas coisas da escrita.

O soneto já postei, no bom ou ruim que não me interessa, na certeza de tê-lo feito pra Lua, não a minha em Escorpião, mas aquela que me surgiu em Barão no dia da morte dela. Invadiu-me, a lua, os espaços de uma minha janela imaginária, a mesma que tanto me assombrou no logo após do acontecido, a mesma que me fez pensar, sempre, nessa mistura insólita do Desejo, Morte e Carambolas.
Pois a Lua fez-se, da maneira que só uma enorme lua cheia é capaz, anteparo da janela que, da Lua em diante, nunca mais restará aberta para um nada. A minha janela que não era mais a dela.
Aí, quando me dei conta do muito que havia mudado, do caminho já bem andado, da alma assossegada, Nana assoprou em meus ouvidos Isso e Aquilo. E percebi que, fosse como fosse, era ela quem cantava, isso e aquilo, sobre a ferida que não mais doía e a libertação das promessas que descumpri. E era ela, só podia ser ela.
Pois se dela aprendi as árias que não conhecia, a possibilidade da ópera que não tive tempo de saber saborear, Voz e Suor foi a disco que ela marcou de mim, desde o início de nosso conhecimento, CD que tocava com uma insistência que era só dela, no carro, na casa dela que depois virou um pouco minha, sempre que ela tinha a chance da escolha. Por isso, Isso e Aquilo soou como recado dela, como um cantar que vinha por lá detrás da lua cheia, falando da ferida que nunca mais doeu, nela.
Terminei sozinho na mesa do bar até ser delicadamente expulso por urgências que a isso tudo desconheciam. Em casa, com a Lua ainda anteparando a janela, compus o filme que aqui posto, esse Isso e Aquilo que ela me disse, só porque sempre gostou de mim. Pipoca parece que entendeu, se aquietou. Eu, me emocionei e vou pensar n´Isso.
Vocês? Sei lá.




sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Soneto da Lua Cheia


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A morte me jogou para a vida
A vida me tornou ao contrário
E a morte permaneceu ferida
Sangrando nos aniversários.
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Destes dois anos aqui passados
Só não passa a lembrança dela
Mas, hoje, de madrugada acordado
Uma lua me antepara a janela. .

E me espanta, invade, é cheia
Ilumina, impede e me convida
Para uma vida pra além da teia
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Onde a morte reste dormida
E a lua seja sempre candeia
Por todo o resto de minha vida.
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Em memória de Gilza
30 de outubro de 1950/12 de dezembro de 2006