quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vinícius de Moraes - Parte II - Fidelidade


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De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor que tive:
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes
Estoril, outubro de 1939

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vinícius, Parte I _ Separação

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SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o presentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinícius de Moraes
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot,
a caminho da Inglaterra, setembro de 1938.





sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Os frutos do silêncio



Um dia, haveremos de nos encontrar.
Quando? Não sei. Onde? Não importa.
A mágoa da ausência estará morta.
Os frutos do silêncio estarão prontos.
Diana Sá
De, e para, Inês




Do caderno vermelho

Tenho um caderninho vermelho onde anoto idéias para o blog. Músicas, que escutando no Frango, me tocam em um dia particular, outras que gostarei sempre, poemas, inacabados, rascunhados, passados a limpo duas ou três vezes antes de que eu crie coragem para postá-los, e toda sorte de insights que, em algum momento, poderão fazer o blog andar.
Muitas vezes essas coisas dormem um tempo enorme no caderno, muito além do dia e das emoções que as justificaram. E muitas, ficam lá no caderno enterradas, idéias que perderam o bonde da minha história.
Mas as músicas quase sempre se oferecem eternamente, pois as escolho, a maioria das vezes, só por serem belas. E como belas elas permanecem, já que não moram no meu caderno mas nas minhas emoções musicais, em algum momento me lembro de uma delas, na fila à espera do "vídeo" que me permitirá colocá-la por aqui. Aí, mas nem sempre, vem a idéia das imagens que justificarao a música e o vídeo se concretiza na exata medida da minha criatividade no dia (e da minha macunaímica preguiça). E assim foi com essa que aqui posto, há tanto tempo sugerida lá nas páginas do caderno vermelho, quase soterrada por outras tantas que lá continuam.
Ho je me vi, nos comentários do post anterior, me explicando sem que nada me fosse perguntado. Algo em mim disse: Don´t explain! E, voilá, lembrei que Nina, a outra, me esperava no caderno me dizendo justamente isso.
Deu no que deu.
E como o vídeo é meu, coloco-o também na versão YouTube, onde ele pode ser encontrado entre os vídeos de zedupoca. Algum dia decido o que acho melhor, mas se vocês quiserem dar opinião nos comentários, ajudarão muito esse pobre obssesivo que odeia ter que tomar decisões.





PS. Desnecessário dizer que o piano, como sempre, é tocado pela própria Nina Simone

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Poema sem forma


Klint

Nos ocos de meu vazio
Entre margens que lá não existem
Corre um também impossível rio.

Às vezes faz litoral,
Outras, profundo interior.
Em ambos, navego mal.

Por eles atravessado
Em corte de dois sem sutura
Neles me sou naufragado.

Entre doces e travessuras
Nas abóboras sempre assombrado
Meus rios, minha aventura.
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E esse rios que correm sem mim
Cavando o barro das margens
Lambendo, da praia, as areias
Conformam o vazio que me nomeia
O centro de minhas miragens
E o buraco que brilha no fim.

E onde sou, não navego
Onde não sou, navegado
Às margens, Édipo cego
De mim mesmo exilado.
Frango, o2 de outubro de 2008

Canção do amor barato


Amor barato? Ainda não conheci um que o fosse. Nos é sempre caro, mas, se como diz minha amiga Cristina, soubermos das dificuldades da felicidade, pode ser um barato. A música do Chico com certeza é. E aqui dou prá vocês, de barato. E inauguro outubro, ainda que tarde (culpa de uma gripe que ainda me mantém com a cabeça mais oca do que o normal).
Melhor para vocês, que se livram de minhas carambolas e ficam com boa música.


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Outubro quase de novo

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Outubro de 2008
Indo e voltando