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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Menino encantado

O ano que hoje incio foi um ano de grandes conquistas. Saindo de uma solidão necessária em setembro de 2007 (que revejo nos poemas que postei como "Contagem regressiva"), o ano foi de consolidação de perdas passadas, de moças do sonho, de gente nova, novas perdas que doeram mas me mostravam vivo, doenças de amor, encontros e reencontros, idas e vindas, e, mais que nada, uma aprendizagem muito grande através dos mais variados tipos de amigos que fui recolhendo durante esse ano todo até a data de hoje.

De certa forma, o ano foi de confirmação do menino que suporta o idoso que hoje tornou-se oficial. Esse menino que vai ajudando tudo que em mim era velho a aprender o valor da ternura, da confiança em um outro, do encantamento com o simples, da desnecessidade dos rótulos, dos perigos dos nomes que nos engessam. Mais menino, vou brincando de viver com 60 anos. E me divertindo.

Por isso a volta da música que aqui já compareceu, as palavras de Vasco Gato, e a dedicação a todos que hoje caminham mais encantados ao meu lado. E meu agradecimento mais sincero àquela que tanto me ajudou nessa passagem dos últimos meses. Minha mais querida, e muito mais que querida, amiga. Com ela ganhei, de mim mesmo, uma aposta. E começo, hoje, outra.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Todo sentimento tem hora

Tem hora que a palavra engasga,
Que as letra deslizam e fogem.
Na boca, que se sabe amarga,
O poema suspira, e morre.
.
Tem hora que nada se acaba
Das linhas restam metades.
O pensamento revolta, e trava.
O verso, manco, já não cabe.
.
Tem hora que a pena resiste,
A tinta falta ou evapora.
O poeta, vaso, ainda insiste
O desejo, vesgo, demora.
.
Tem hora que nada se adianta
Tem hora que tudo se atrasa
Tem hora que a musa não canta
Tem hora que o peito não vaza