sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Era de luz
























Desenho e texto, Gilza, 2001

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O farol dos olhos teus



Na ilha onde me habito,
frequentam as gaivotas.
E trazem, presas aos bicos,
ao invés de folhas de louro,
mensagens, pequenas notas,
preciosos grãos de ouro.

Notícias do mar além,
onde em terras distantes
residem meus todos bens.
Bússolas de norte constante,
consolos deste ser errante,
avalistas de meu ser alguém.

E, nestes esperados instantes,
que me trazem as gaivotas,
ouço músicas, nunca o bastante,
fugas, prelúdios, gavotas,
doçuras para meus ouvidos,
alívio para um meu castigo.

Que aqui naufraguei por besteira,
pensando em uma vida nova.
Mas sem um meu sexta-feira,
escrevo essas poucas notas,
pobres versos em tom de trova,
que devolvo às gaivotas.

E assim, do Frango à Praça,
vou habitando esta ilha,
errando pelo rés da praia,
prisioneiro, meio sem graça,
desta imaginária Tordesilhas,
aguardando que o dia raia.

No movimento dos barcos,
da janela de meu quarto,
espio por detrás da porta,
ali onde Inês era morta,
onde sonho novo momento,
eu, ela, e todo o sentimento.

Invento um cais,
e quero mais.

Há uma dor em cada canto


Silêncio
Façam silêncio
Quero dizer-vos minha tristeza
Minha saudade e a dor
A dor que há no meu canto

Oh, silenciai
Vós que assim vos agitais
Perdidamente em vão
Meu coração vos canta
A mais dolorosa das histórias
Minha amada partiu
Partiu

Oh, grande desespero de quem ama
Ver partir o seu amor.
Vinícius de Moraes, poeta e meu companheiro

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Quadrinha à moda de minha Vó Pata





Meu amor é um passarinho,
que canta com tanta beleza,
que apesar do eu sozinho,
espanta toda tristeza.






Desenho de Manoel de Barros, poeta e passarinho,

Tu figura, en el marco de la puerta.


Geografía

Esta ausencia de vos, en este espacio,
este lugar cargado de memoria,
que enhebrara mi historia con tu historia
y hoy se reduce a un rito solitario.

Esta esquina, que lleva un nombre amado
dentro de mi pequeña geografía,
que alguna vez fue tuya, como mía,
donde mi nombre propio está enredado.

Este bar, de esta esquina, que nos fuera
cómplice en tantas cosas hoy desiertas,
esa magia de estar, cálida esfera

suspendida en ternura, y ahora yerta,
este esperar, sin tiempo y sin espera,
tu figura, en el marco de la puerta.

Alberto Gustavo Amoroso — Poeta espanhol

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Safari de um fauno après-midi

Quem roubou, quem me tirou
o tesão que estava aqui?
Quem levou, escamoteou,
o querer onde me fiz?
Quem tranformou,
o desejo em dejà vu?

Pois se ainda passam as mulheres,
fêmeas para meu olhar,
e se provocam meus mal quereres
com seus modos de se mostrar,
Quem? que maldito inimigo,
tirou-me o melhor brinquedo,
roubou minha libido
e me fez esse fauno azedo?

Que mulher, em qual senhora,
recupero o que procuro?
O tesão, sem dia ou hora,
e o orgulho do pau duro?
Já cansei do velho precoce,
do tédio e do falso cansaço.
Quero de mim retomar posse
e comer tudo que caço.

Traquitana



Aos blogspectadores, aquele abraço!