terça-feira, 3 de junho de 2008

Dulcinéia

Quixote, Dali
Também sou feito em armaduras
Que insisto em um sempre negar.
Não é feita de ferro ou coisa dura
É barreira feita de ar.

E sendo  de ar, transpareço
Ofertado a qualquer olhar.
Mas, armadura, com ela impeço
O querer de mim se aproximar.

E sigo com minha lança em riste,
Garboso cavaleiro de se apaixonar.
No fundo, uma figura triste
Preso em uma bolha de ar.

E sonho uma Dulcinéia
Que enxergue mais que o tormento
E acabe com a minha odisséia
Soprando meus ares ao vento.
Para Ti

Como nuvens pelo céu


Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim. 
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece. 
Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói? 

Como Nuvens Pelo Céu/Fernando Pessoa/17.06.1932
Heranças de Lais

Prêmio


A ALMA ENTRELAÇADA DOS INDESCRITÍVEIS

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

Hilda Hilst
Obrigado, Lais

Desde los afectos, Benedetti



DESDE LOS AFECTOS

Cómo hacerte saber que siempre hay tiempo?
Que uno tiene que buscarlo y dárselo...
Que nadie establece normas, salvo la vida...
Que la vida sin ciertas normas pierde formas...
Que la forma no se pierde con abrirnos...
Que abrirnos no es amar indiscriminadamente...
Que no está prohibido amar...
Que también se puede odiar...
Que la agresión porque sí, hiere mucho...
Que las heridas se cierran...
Que las puertas no deben cerrarse...
Que la mayor puerta es el afecto...
Que los afectos, nos definen...
Que definirse no es remar contra la corriente...
Que no cuanto más fuerte se hace el trazo, más se dibuja...
Que negar palabras, es abrir distancias...
Que encontrarse es muy hermoso...

Que el sexo forma parte de lo hermoso de la vida...
Que la vida parte del sexo...
Que el por qué de los niños, tiene su por qué...
Que querer saber de alguien, no es sólo curiosidad...
Que saber todo de todos, es curiosidad malsana...
Que nunca está de más agradecer...
Que autodeterminación no es hacer las cosas solo...
Que nadie quiere estar solo...
Que para no estar solo hay que dar...
Que para dar, debemos recibir antes...
Que para que nos den también hay que saber pedir...
Que saber pedir no es regalarse...
Que regalarse en definitiva no es quererse...
Que para que nos quieran debemos demostrar qué somos...
Que para que alguien sea, hay que ayudarlo...
Que ayudar es poder alentar y apoyar...
Que adular no es apoyar...

Que adular es tan pernicioso como dar vuelta la cara...
Que las cosas cara a cara son honestas...
Que nadie es honesto porque no robe...
Que cuando no hay placer en las cosas no se está viviendo...
Que para sentir la vida hay que olvidarse que existe la muerte...
Que se puede estar muerto en vida..
Que se siente con el cuerpo y la mente...
Que con los oídos se escucha...
Que cuesta ser sensible y no herirse...
Que herirse no es desangrarse...
Que para no ser heridos levantamos muros...
Que sería mejor construir puentes...
Que sobre ellos se van a la otra orilla y nadie vuelve...
Que volver no implica retroceder...
Que retroceder también puede ser avanzar...
Que no por mucho avanzar se amanece más cerca del sol...
Cómo hacerte saber que nadie establece normas, salvo la vida?

Mario Benedetti

Obrigado, Inês

O oco do mundo ou para não dizer que não falei de Roberto Carlos.

Roberto Carlos. Confesso que sempre não gostei, coisa que não gosto ainda mais hoje. No início, não gostava pelas razões erradas, pela bobagem do iê-iê-iê versus MPB que nos impunha os cabrestos ideológicos. Com isso perdi o Roberto interessante. 
Quando saí daquela, o moço já tinha se melado todo em romantismos, já tinha virado ídolo de minha sogra, rei das velhinhas românticas, cantor de cruzeiros geriátricos. Azar o meu que nunca desci a Augusta a 120 por hora. Ou as curvas da estrada de Santos. Whatever!
Mas, reconheço, o CD de Bethânia só com canções do Rei/Tremendão, que, diz a lenda, é só um contrato tipo John &Paul, deu uma roupagem digna às músicas "que você fez para mim".
Mais ainda, mesmo dentro de meu não gostar do moço, hoje senhor provecto, nunca deixei de reconhecer-lhe a competência. Ninguém fica tanto tempo por cima na cena se não tiver o mínimo de competência. O resto é questão de gosto. 
Daí que me apossei de uma cançao da dupla, na voz da Bethânia e usei para fins inconfessáveis. Meti minhas palavras no meio, rimei alhos com bugalhos, namorei a escuridão. O resultado é a coisa a seguir.
Uma brasa, mora?



segunda-feira, 2 de junho de 2008

Às margens plácidas

Um dia ainda iremos parar
nas margens de meu Rubicão.
E, às suas águas afoitas,
seus perigos de nos afogar,
atravessaremos ou não.
.
Mas o importante é a viagem
que às margens nos levará.
O resto é coisa pouca,
é so questão de coragem
e vontade do que será.
.
E, Rubicão atravessado,
se este acabar o caso,
de você terei a louca,
de mim o herói cansado,
de nosso, o descoberto raso.

domingo, 1 de junho de 2008

Junho, o mês que virou maio de ponta cabeça




Junho, um redemoinho de Ti e um Je re-voltado.