sexta-feira, 15 de junho de 2007

As ondas





É da dívida ser adiada,
e da vontade, satisfeita.
A xícara de café é nada,
a palavra não dita, desfeita.






Waves

Ogata Korin (1658-1716) Edo period

terça-feira, 12 de junho de 2007

Ecos do Inferno

"E orgulho-me todavia de minha humilhação, e por estar condenado a tal privilégio, quase desfruto uma salvação odiosa: acredito ser, na memória humana, o único exemplar de nossa espécie a ter naufragado num navio deserto"

"Nós pensávamos...que a vida no inferno fosse o lugar do eterno desespero...Ai de mim, não, pois este é o lugar da inextinguível esperança, que torna cada dia pior do que o outro, pois essa sêde, que nos é mantida viva, não é jamais satisfeita"

(Umberto Eco - A Ilha do Dia Anterior)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Para não dizer que não falei das flores.


Homem é tudo a mesma coisa. Só muda de CPF.
(ditado pró-prolar)

Provocação nº 1

Toda mulher, fêmea da espécie dos falentes, sonha ser a Outra. O máximo que conseguem, quando conseguem, é ser a outra, banal personagem de Nelson Rodrigues, macho da espécie. E esquecem, tolinhas, que são sempre uma outra,
(Nó-meação, Ela, Eu e eu)

domingo, 3 de junho de 2007

Recolhimento


Quando eu te contar a verdade,
não diga nada.
Qualquer boa vontade,
será a vontade errada.
Quando eu te disser a verdade,
cale-se! Apenas ouça!
Palavras de louça,
frases rendadas
feitas de espuma,
enfumaçadas,
letras que escorrem
como areia pelos dedos
ou a bruma de umamanhã bem cedo.
Quando eu te falar a verdade,
não tenha medo!
Fica comigo no teu ouvido,
me acolha o colo que nunca dei,
me salgue as lágrimas que não chorei,
escuta o dito que não direi
e tudo que sobrar devido.
E me recolha em concha,
na ponta dos teus dedos,
no seio dos teus medos.
E quando a ostra, como é das ostras,
novamente se fechar,
aceite a trouxa ali recolhida,
e me deixe na praia,
no quebra mar,
entre as espumas,
as brumas e o litoral.
Quando eu te calar a verdade,
não me queira mal!
E guarde, pouco de mim,
em um canto dos olhos teus.
Me leve calada, contida,
no brilho de teu olhar,
a verdade dita,
o fim,
restos do eu.
Resto que deixo,
no teu calar.
O resto é seixo,
para Iemanjá.



O som é a espuma das palavras


What I say is perpetually contradicted. Each time the door opens I am interrupted. I am not yet twentie-one. I am to be broken. I am to be derided all my life. I am to be cast up and down among this men and women, with their twitching faces, with their lying tongues, like a cork on rough sea. Like a ribbon of weed I am flung far every time the doors opens.The wave breaks. I am the foam that sweeps and fill the uttermost rims of the rocks with whiteness;I am also a girl, here in this room.
Virginia Woolf, The Waves

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Junho, Gêmeos, escolho minha ilusão.

Os bares, a boemia vespertina, Barão me acolhia. O boêmio parisiense é de Toulouse-Lautrec



Junho de 2007