
Deter o andar do tempo
Antonio Miranda Fernandes
Como faz, suponho, quase toda gente,
Eu, às vezes, para avaliar os meus passos,
Interrompo o caminhar e olho para trás.
Neste mundo em que quase tudo se
Compra e se vende,
Vejo um tabuleiro aberto, talvez pequeno,
Com coisas que dividi e ainda o faço,
(mesmo porque a bagagem ficaria pesada)
Sem nada pedir em troca.
Meu coração não tem sombras como abrigo,
E raramente vivi medo que eu não esperasse,
Ou fiz meia-volta diante de um perigo,
Se o meu objetivo estava adiante.
Mas hoje me pergunto que corda usar,
Que laços fazer para deter, num avançar lento,
Sem que ele deixe de ser meu,
Este andar do tempo que me incomoda.
Presente de |Meire