The Man I Love, de George e Ira Gershwin, ficou na gaveta dos compositores por muitos anos. Ruy Castro conta, em seu livro Tempestade de Ritmos: Era uma vez um compositor e um letrista que, tendo escrito uma canção que, sozinha, poderia render dinheiro para sustentá-los a ostras e charutos pelo resto da vida, deram-se ao luxo de deixá-la na gaveta - e, se não fosse por uma amiga que levou a partitura para Londres, onde esta foi tocada e "descoberta", a tal canção ficaria desconhecida para sempre. Dúvida? A canção é The Man I Love, e seus autores, os irmãos Gershwin, os estróinas que por pouco não poderiam ser acusados de um dos crimes do século: o de sonegar 32 dos mais belos compassos da música popular". Alguém discorda que seria um crime?
A canção já apareceu por aqui pelo blog, já não me lembro em qual gravação. O fato que quase não há cantora de jazz que não tenha ousado uma sua interpretação desta música. E, como acontece no jazz, cada uma leu a canção a sua maneira. A que aqui posto, depois desta longa pausa em que o blog também ficou na gaveta, é interpretada por Betty Carter, que a traduz de uma maneira bastante diferente das gravações que nos acostumamos a ouvir. Além disso, o acompanhamento musical é de primeira qualidade.
Fora isso, resta dizer que essa música é tão bela que mesmo a maneira como ficou marcada, indelevelmente, em mim, não consegue nunca estragar meu prazer de ouví-la. Mas, vamos ao meu azar: início da década de 80 no Rio de Janeiro, tempo em que eu frequentava muito os teatros cariocas. Uma noite, assistindo uma peça da qual só me lembro que era sobre um pobre rapaz novaiorquino, judeu, comunista e homossexual (temática meio comum naquela época) e seus sofrimentos. Em um certo momento, desce por um poste, tipo aqueles que vemos nos quatéis dos bombeiros do cinema, Guilherme Karan como uma drag-queen cantando, e bem, The Man I Love. Depois disso nunca mais consegui escutar a música sem me lembrar da cena ridícula e escrachada. Mas a música é tão boa que mesmo assim continuo me deliciando.
Ah!, em tempo. Carmen McRae chegou a dizer que Betty Carter era, na verdade, a única cantora de jazz que existia. Exagero, mas diz alguma coisa sobre Mrs. Betty Carter que ainda não havia comparecido por aqui, pelo menos sozinha já que em algum lugar do blog ela faz um dueto com Ray Charles em Baby, it´s cold outside. E, último aviso, a foto que ilustra o vídeo é de Billie Holiday, meio que a dona da canção.
Mostrando postagens com marcador Betty Carter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Betty Carter. Mostrar todas as postagens
sábado, 11 de outubro de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Baby, it was cool outside
Pois é, foi só falar que inverno não havia por aqui que as noites resolveram me desmentir. Não só gelaram como me trouxeram uma gripe chata que me deixou sem ânimo para o blog e as postagens. Não fosse o omentário da Leila, até o 7.000º visitante teria passado desapercebido, entre espirros, tosses e desconfortos variados.
Mas, já nos ensinaram, ovos quebrados, faça-se uma omelete. Aí lembrei dessa coisinha gostosa do Ray Charles e resolvi brincar com a música. E dar um tranco na coisa por aqui para ver se pego novamente no embalo.
De qualquer forma já estava devendo um Ray Charles, cuja importância na minha adolescência ainda volto outra hora para contar. A música que aqui posto tem um porém: ela consta em meus arquivos como sendo interpretada por Ray Charles e Nina Simone, coisa que duvido muito. A voz de Nina Simone é muito marcante e bem diferente da que aqui acompanha a canção. Portanto, se alguém souber melhor quem é que canta junto com ele, favor avisar o povo do blog nos comentários.
.
PS: A questão de quem canta com Ray Charles foi devidamente esclarecida pela Tita (é Betty Carter). Vejam comentários. Beijos agradecidos.
Marcadores:
Baby it´s cool outside,
Betty Carter,
Música,
Ray Charles
Assinar:
Postagens (Atom)